
Registramos aqui, de maneira parcimoniosa, deixando fora os adjetivos e os arroubos de sua excelência, fragmentos da fala do sr. Governador Cid Gomes durante audiência com um grupo de professores e estudantes da UECE na terça-feira passada no Palácio Iracema.
Indagado sobre o PISO SALARIAL assim se manifestou sua excelência:
1.“O piso salarial é inconstitucional”
2. “Vou fazer tudo para não pagar o piso salarial”.
3. “O piso salarial está atrapalhando a implantação do PCCV"
4. “Tentei negociar(?) a questão do piso salarial e os professores não quiseram”
Agora vão os nossos comentários:
1. Na primeira vez que sua excelência se referiu ao piso salarial, em entrevista ao repórter Egídio Serpa há alguns meses, falou que o piso era inconstitucional. Daquela data até hoje, seus assessores nada fizeram para informá-lo melhor e retocar seu repetitivo e equivocado discurso.
2. É claro que ele vai fazer tudo para não pagar o piso e até assume publicamente sua intenção de calote. Mas, precisa saber que decisões do Supremo Tribunal Federal, transitadas em julgado, não se discutem. Devem ser cumpridas. E vão ser cumpridas mesmo, independente da vontade imperial do governador. A não ser que a Constituição Federal seja rasgada e/ou haja um retorno ao estado de exceção.
3. De que modo o piso salarial que ele jura não reimplantar está atrapalhando a implantação do PCCV? Não estaria sua excelência se contradizendo com esta afirmação?
Se ele diz ignorar o Piso Salarial porque é algo que ele julga, por interpretação subjetiva, “inconstitucional”, como poderia - o Piso Salarial - atrapalhar a implantação do PCCV?
Lembramos, por oportuno, ao sr. Governador que a questão Piso Salarial precede em muitos anos a discussão do PCCV. É uma herança de seu preceptor e tutor que, através de rapinagem e truculência, nos surrupiou um direito legítimo assegurado em lei e decreto da lavra do governador Gonzaga Mota.
4. Quanto á tentativa de acordo, não cremos que o sr. governador esteja falando sério. Seria muita ingenuidade, para um ocupante de um cargo tão importante, acreditar que professores calejados e sofridos como nós, alguns já na oitava casa da vida, pudessem capitular depois de uma vitória maiúscula no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL...
Fomos convidados há algum tempo para conversar com o Sr. Procurador Geral do Estado, Dr. Fernando Oliveira. Procuramos na ocasião o prof. Boaventura para que o mesmo, na condição de presidente do SINDESP, fosse ao encontro do procurador. O prof. Boaventura não achou conveniente o tal encontro. Discutimos com alguns companheiros que conosco se reúnem desde o mês de abril no SINDESP, todas as sextas feiras. Uma comissão formada por nós, o prof. William Guimarães do CH que é advogado e militou muitos anos na Justiça do Trabalho, o prof Fernandes do CCS que também é advogado e a profa. Sandra Melo, do CESA, assistente social, esteve na PGE no dia 20 de setembro.
O que pretendíamos nós?
O que pretendia o governo através da PGE?
Foram mostradas algumas simulações. De um modo geral poucos atingiriam o teto. Mas, o mais grave era perder a referência.
Fomos tratados com cordialidade, mas contra-argumentamos que não tínhamos competência para representar a categoria e, ainda que tivéssemos, não era possível aceitar a proposta.
Dias depois fomos convidados a retornar. Não tínhamos mais nada a conversar. Com efeito não voltamos à PGE, até porque as hostilidades contra nós não cessaram, inviabilizando qualquer perspectiva de diálogo.
Prestamos esses esclarecimentos deixando claro para todos os colegas da UECE, da UVA e da URCA as falácias de sua excelência que sabe que perdeu a questão e quer usar a truculência para obstruir o caminho da justiça.
Nós não vamos desistir. Nada nos deterá. Não haverá negociação quanto ao PISO SALARIAL.
O clássico da literatura universal O Velho e o Mar do imortal Ernest Hemingway nos ensina a ter paciência, persistência e obstinação como aquele velho pescador, na absoluta convicção da vitória final e definitiva.







